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Teste: Ford Ka Trail 1.0 - Briga à altura

24/05/2017 09:00  - Fotos: Isabel Almeida/Carta Z Notícias
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Versão Trail amplia poder de atração do Ka e ajuda a Ford a manter o terceiro lugar no ranking de vendas

 

por Marcio Maio
Auto Press

A Ford sempre apostou alto no Ka. E, como acontece com todo carro de entrada de marca generalista, tratou de espalhar versões do modelo em suas duas motorizações – 1.0 e 1.5. Mas faltava investir em uma característica comumente explorada pelas fabricantes de hatches: uma variante com visual aventureiro. Assim como a Volkswagen e a Fiat, tratou de fazer isso por baixo e criou a configuração Trail. No caso da motorização 1.0, ela se posiciona logo acima da SE Plus, a mais barata da gama. A versão tem pouco mais de um mês de vendas e ainda não pôde exibir o quanto vai engordar os emplacamentos da linha, mas a ideia é que contribua para manter o Ka hatch como terceiro veículo mais vendido do país. A versão Trail chega em um bom momento para o modelo. Apesar da queda de 1,67 % no acumulado dos automóveis de passeio e comerciais leves de 2017, o compacto da Ford comercializou 27.514 exemplares no primeiro quadrimestre deste ano – bem mais que as 22.402 registradas no mesmo período de 2016. Um crescimento de 22,8%.

A principal mudança mecânica aplicada ao Ka Trail é a suspensão elevada e reforçada. A altura do solo foi ampliada em 31 mm – agora chega a 200 mm. Os pneus são Pirelli ATR 185/65 R15, de uso misto, indicados para rodarem 50% em estrada e 50% no fora de estrada. As modificações na suspensão incluem novas molas e amortecedores dianteiros e traseiros, barra estabilizadora dianteira maior, eixo traseiro mais rígido e novos coxins do motor com amortecimento hidráulico. Os amortecedores cresceram em tamanho e carga para melhorar o isolamento de impactos e asperezas. Os freios ABS também foram recalibrados e recertificados, assim como a direção elétrica.

Esteticamente, o Ka Trail chega um tanto limitado na cor da carroceria. Só quatro opções estão disponíveis: vermelho, preto, branco e prata. Faixas laterais e traseiras se destacam, na cor cinza com textura em formato de colmeia, e trazem grafismos e o logotipo “Trail” destacados em laranja. Caixas de rodas e faróis de neblina têm moldura na cor preta, enquanto para-choques dianteiro e traseiro exibem aplique na parte inferior de cor prata. O interior incluiu bancos revestidos em couro sintético e pespontos em tons verdes e alaranjados. As soleiras das portas são protegidas por faixas pretas personalizadas e pedais esportivos de alumínio chamam atenção no habitáculo. 

O Ka Trail tem rodas de liga leve de 15 polegadas, faixas esportivas nas laterais e traseira, rack de teto, molduras nas caixas de rodas, faróis de neblina, maçanetas e retrovisores na cor cinza, apliques nos para-choques e lanternas traseiras fumê. Por dentro, a cabine vem com bancos especiais de couro sintético e tecido, pedais de alumínio, soleira protetora na porta e tapetes personalizados. Os itens de série englobam ainda ar-condicionado, travas elétricas, vidros elétricos dianteiros, abertura elétrica do porta-malas e coluna de direção com ajuste de altura. Tem também som com comando de voz e bluetooth e banco traseiro bipartido.

O motor é o mesmo que move as outras versões de entrada do modelo: um 1.0 flex de três cilindros capaz de entregar 85 cv máximos com etanol – 80 cv com gasolina – e torque de 10,7 kgfm a 4.500 rpm também com etanol – na gasolina, o carro chega a 10,2 kgfm apenas, mas em 3.500 giros. A transmissão é manual de cinco marchas e o preço do Ka Trail é bem próximo ao do Ka SE Plus 1.0, o mais barato de todos: são R$ 47.690 contra os R$ 46.390 pedidos pelo de entrada. 

 

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.0 de três cilindros e 85 cv da Ford empurra o Ka com certa facilidade. Arrancadas são boas, mas é a partir dos 3 mil giros que o propulsor começa a responder de maneira mais eficiente. O torque máximo de 10,2 kgfm com gasolina no tanque aparece aos 3.500 giros, enquanto que com etanol chega aos 10,7 kgfm, mas só em 4.500 mil rpm. Ultrapassagens e retomadas são feitas sem grandes problemas e o câmbio manual de cinco velocidades tem engates precisos. Nota 7.

Estabilidade – Por ser um pouco mais alto, o Ka Trail apresenta uma ligeira rolagem de carroceria em curvas mais fechadas e em alta velocidade. Por outro lado, a Ford poderia ter inserido o controle de estabilidade e de tração no modelo, mas esses aparatos tecnológicos ficam reservados apenas à configuração SEL, de topo. Nota 6.

Interatividade – O painel do Ka Trail é simples e de leitura muito fácil. O sistema de som traz bluetooth e comando de voz, mas causa estranheza a ausência de volante multifuncional, regulagem elétrica para os retrovisores externos e até de um computador de bordo. Nota 5.

Consumo – O Programa de Etiquetagem do InMetro registrou 8,9 km/l e 10,4 km/l com etanol e 13 km/l e 15,1 km/l com gasolina, respectivamente nos ciclos urbano e rodoviário. Os números renderam nota “A” tanto no segmento quanto no geral. Nota 9.

Conforto – O espaço interno é bom o suficiente para quatro passageiros sem grandes apertos. Mas também não há folga. O isolamento acústico é um tanto falho e o barulho do propulsor entra na cabine com facilidade. Por outro lado, pequenos trechos de estradas de terra ou vias esburacadas são enfrentados com certa facilidade pelo modelo. Nota 7.

Tecnologia – Quando lançou o Ka, a Ford se fez valer do apelo tecnológico do modelo. Mas deixou de fora da variante Trail essa imagem, já que não adotou a central multimídia Sync nem recursos como controle eletrônico de estabilidade e tração. A verdade é que o hatch aventureiro leva mesmo só o básico para garantir algum conforto nas viagens. Nem mesmo vidro elétrico traseiro aparece. Nota 6.

Habitabilidade – O Ka tem oferece acesso fácil aos seus ocupantes nas versões convencionais. Mas na Trail, com a altura ligeiramente elevada, melhorou a entrada de passageiros de estatura normal para alta. Há bons espaços para guardar objetos no interior e diversos nichos para levar copos ou garrafas. O porta-malas não impressiona: são 257 litros, pouco abaixo da média do segmento. Nota 7.

Acabamento – Há plásticos por toda a parte, mas de qualidade aparentemente boa. Não há folgas nos encaixes, mas também não se tratam de materiais de toque agradável. Combina um pouco com a ideia rústica e robusta da versão. Mas parece simples demais para o valor cobrado. Nota 6.

Design – Além de suspensão elevada e reforçada, o Ka Trail tem rodas de liga leve de 15 polegadas, faixas esportivas nas laterais e na traseira, rack de teto, molduras nas caixas de rodas, faróis de neblina, maçanetas e retrovisores na cor cinza, apliques nos para-choques e lanternas traseiras fumê. Não chega a ser tão “aventureiro” assim na estética, mas se diferencia bem das outras configurações. Nota 8.

Custo/benefício – A Ford cobra R$ 47.690 pelo Ka Trail 1.0. É mais caro que um Volkswagen Gol Track com sistema multimídia e pacote Urban, que adiciona retrovisores e vidros elétricos traseiros, além de sensor de estacionamento, entre outros itens, e sai a R$ 47.465. A Fiat vende o Uno Way 1.0 a partir de R$ 44.150, mas por R$ 48.010 entrega o carro até com assistente de partida em rampas e controles eletrônicos de estabilidade e tração. Nessa briga, o Ka sai perdendo. Nota 6.

Total – O Ford Ka Trail 1.0 somou 67 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Por cima

Basta olhar o Ka Trail estacionado ao lado de um Ka de qualquer outra versão para perceber que, de fato, trata-se de uma proposta distinta. É claro que o visual contribui, com faixas esportivas, rack de teto e molduras nas caixas de rodas. Mas a destaca-se a altura elevada em relação ao solo, possibilitada pelo redimensionamento e pela recalibração da suspensão.

Não se trata de um automóvel de fato aventureiro, mas o novo conjunto suspensivo garante um comportamento mais condizente com a maioria das ruas brasileiras – quase sempre com desníveis constantes. A carroceria rola um pouco nas curvas, mas nada que preocupe o condutor. E nem a marca, já que preferiu deixar de fora recursos eletrônicos voltados para a estabilidade e tração.

O motor 1.0 move o carro de forma coerente. Não impressiona por uma força intensa, mas está bem longe de decepcionar. Porém, trata-se de um propulsor que se sai bem em giros mais altos, acima das 3 mil rpm. E ao se carregar demais o pé direito no acelerador, perde-se o baixo consumo prometido pela nota “A” conquistada nos testes do InMetro, tanto na categoria quanto no geral. Mas é preciso fazer contas para concluir isso: não há computador de bordo na versão trail do Ka 1.0.

 

Ficha técnica

Ford Ka Trail 1.0

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 997 cm³, três cilindros em linha, duplo comando variável na admissão e no escape no cabeçote e quatro válvulas por cilindro. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.

Potência: 80/85cv com gasolina/etanol a 6.500 rpm.

Torque: 10,2 kgfm a 3.500 rpm com gasolina e 10,7 kgfm com etanol a 4.500 mil rpm.

Diâmetro e curso: 71,9 mm X 81,8 mm. Taxa de compressão: 12:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos.

Pneus: 185/65 R15.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS com EBD e assistência de frenagem.

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,89 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,53 m de altura e 2,49 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.

Peso: 1.047 kg.

Capacidade do porta-malas: 257 litros.

Tanque de combustível: 51,6 litros.

Produção: Camaçari, Bahia, Brasil.

Lançamento no Brasil: 2014.

Itens de série: Ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricas com controle remoto, chave canivete, airbags frontais, freios ABS com EBD, abertura elétrica do porta-malas, ajuste de altura da coluna de direção, rádio com Bluetooth, rodas de liga leve com 15 polegadas, pneus de uso misto, faróis de neblina dianteiros e altura elevada em 31 mm.

Preço: R$ 47.690.

TRÂNSITO LIVRE

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