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Dez tons de azul: depois de forte retração, 2017 fechou com aumento do mercado automotivo superior a 10%

04/01/2018 01:23  - Fotos: Divulgação
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 Chevrolet Onix foi o líder mais uma vez,com boa folga

 

por Márcio Maio
Auto Press

Não se pode dizer que o mercado automotivo brasileiro tirou o “pé da lama” em 2017. Mas a perspectiva de um crescimento na cada dos dois dígitos nas vendas de carros de passeio e comerciais leves traz alívio para diversos fabricantes que atuam no país. De janeiro a novembro deste ano, o aumento no número de emplacamentos subiu 10,07% em relação ao mesmo período de 2016, ano que fechou com uma retração de quase 20% nas vendas. “ A alta nos índices de confiança e a contínua queda na inadimplência, que registrou o menor índice desde 2011, fez com que o comprador voltasse às concessionárias ”, explica Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores.
 
A recessão prejudicou muito a indústria automotiva, gerando demissões e ’lay offs’ (suspensões temporárias do contrato de trabalho) em diversas fábricas. Mas nós acreditamos no país, mantivemos os investimentos planejados e fomos uma das marcas que apresentaram crescimento no ano passado e em 2017 ", comemora José Vendramini, diretor comercial da Nissan. De fato, ao final de 2016, a fabricante nipônica tinha 3,39% de participação entre automóveis de passeio e comerciais leves. Em 2017, até novembro, já conquistou 3,98%, impulsionada principalmente pela adição do SUV compacto Kicks à gama.
 
 
Motivos para celebrar não faltam à Volkswagen. A alemã segue em terceiro no ranking, com 12,52% de market share. Mas diminuiu bastante a diferença para a segunda colocada, a Fiat, que passou dos 15,35% registrados em 2016 para 13,45% até novembro deste ano. Considerando apenas a venda de carros de passeio, a Volkswagen chegou à segunda posição, com 11,67%, ultrapassando a Fiat e a Hyundai, que estavam à sua frente no ano passado. As duas rivais, apesar de lançamentos como do hatch compacto Argo e do SUV compacto Creta, perderam em participação de mercado.
 
 
Demos início à construção de uma nova Volkswagen, mais conectada às pessoas. Embora tenhamos intensa ligação com os brasileiros, a marca estava se distanciando de seu público ”, raciocina Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen na região da América do Sul. Para reverter esse quadro, a solução foi a renovação de portfólio e, mais recentemente, em novembro, o relançamento do hatch compacto premium Polo, cuja nova geração debutou na Europa poucos meses antes.
 
 
 
A liderança segue com a Chevrolet, que é também a fabricante do modelo mais vendido do Brasil: o hatch compacto Onix. Seu market share também subiu em relação ao do final de 2016, que era de 17,41%. Até novembro de 2017, chegou a 18,13%, ou seja, 34,7% a mais que a segunda colocada, a Fiat. A chinesa JAC Motors também cresceu, só que de maneira bem mais expressiva: com quase 3.200 unidades vendidas nos 11 primeiros meses de 2017, registrou crescimento de 43,5% em relação ao mesmo período de 2016.
 
 
A nossa expectativa é fechar 2017 com cerca de 4 mil emplacamentos. Para isso, contamos com o sucesso do T40, que hoje já responde por 70% de todas as nossas vendas ”, avisa Nicolas Habib, diretor geral da JAC Motors no Brasil. Entretanto, o modelo mais vendido da marca não é o novo crossover, mas sim o SUV compacto T5, com 2.023 unidades vendidas de janeiro a novembro.
 
 
Esse número é cerca de 7% do que vendeu o Ford EcoSport, que liderou durante anos os emplacamentos de SUVs compactos no Brasil e foi renovado em 2017, com novos motores. Aliado à boa aceitação do hatch compacto Ka, o terceiro carro mais vendido do Brasil – o vice-líder é outro hatch compacto, o Hyundai HB20 –, ajudou a fabricante a subir dos 9,07% de share de 2016 para 9,53% até novembro de 2017. “ Criamos estratégias para acelerar as vendas, lançamos modelos importantes e alcançamos crescimento de 15%, na somatória de carros e caminhões ”, valoriza Antonio Baltar, diretor de Marketing, Vendas e Serviços da Ford.
 
 
A marca norte-americana conseguiu voltar ao “ top 4 ” do mercado automotivo, ultrapassando Hyundai e Toyota nas vendas de carros de passeio e comerciais leves. A japonesa caiu de 9,08% em dezembro de 2016 para 8,68% em novembro de 2017 – mas segue como a marca líder entre os sedãs médios, já que o Corolla responde por 42,61% da categoria e o segundo lugar, o Honda Civic, fica com apenas 17,17%. Já a Hyundai desceu dos 9,96%, suficiente para figurar em quarto lugar em 2016, para os atuais 9,3%.
 
 
A Renault subiu pouco e se manteve na sétima posição, passando de 7,55% para 7,71%. Seu principal lançamento, o subcompacto Kwid, que chegou a emplacar 10.356 unidades em setembro embalado pelas vendas antecipadas e pelo marketing de ser, de acordo com a marca, “ o SUV dos compactos ”, mas caiu para 2.231 em novembro. Entre os SUVs, aliás, reinou o médio Jeep Compass, que bateu o Honda HR-V, apesar de custar mais caro. Um sinal de que talvez a crise esteja mesmo dando uma trégua ao Brasil.
 
 
Força externa
 
Em um período de recessão, a busca de soluções externas é sempre uma alternativa. No caso dos automóveis, o mercado interno até que reagiu, mas ainda não chegou nem aos níveis de 2015, que já demonstrava um cenário de crise. Por isso as exportações foram ainda mais valorizadas pelos fabricantes. “ Lideramos por mais um ano as exportações, com mais de 145 mil unidades enviadas para o exterior até novembro. Isso corresponde a um aumento de 53% em relação ao volume registrado no mesmo período de 2016 ”, gaba-se Pablo Di Si, da Volkswagen.
 
A Nissan também evoluiu nesse aspecto, mas com números mais tímidos. Por outro lado, a intenção é fazê-los subir, já que a marca agora também manda para outros mercados seu principal produto fabricado no Brasil. “ Avançamos exponencialmente em nosso projeto de exportações, que recentemente atingiu as 20 mil unidades enviadas para o mercado externo. Além disso, iniciamos neste mês de dezembro as exportações do Kicks para a Argentina ”, conta o diretor comercial, José Vendramini.
 
Fora da curva
 
 
Entre as marcas de luxo, a Mercedes-Benz foi a que se deu melhor neste ano. Não só porque pulou da terceira colocação no segmento para a liderança, com 11.591 carros de passeio vendidos nos 11 primeiros meses de 2017. Mas também porque foi a única da tríade alemã que cresceu: nos 12 meses de 2016, foram 11.301 veículos emplacados. É dela também o modelo mais comercializado até novembro de 2017 entre as três: o sedã Classe C, fabricado em Iracemápolis, no estado de São Paulo, com 4.678 exemplares registrados no período – 1.331 deles só no mês de setembro.
 
 
A bávara BMW, que foi líder em 2016 com 11.857 emplacamentos, amarga agora apenas 9.002 até novembro. O modelo mais pedido nas lojas é o crossover X1, produzido em Araquari, em Santa Catarina. “ No setor em que atuamos, o mercado premium, o volume total da indústria continuou em queda. O ano de 2017 foi difícil e de muito aprendizado ”, avalia João Veloso Jr., head de Comunicação Corporativa do BMW Group Brasil. A marca, pelo menos, segue à frente da Audi, que soma 8.718 unidades vendidas entre janeiro e novembro – em 2016, foram 11.599. Na fabricante das quatro argolas, o carro mais procurado é o SUV Q3, que emplacou 3.653 exemplares até novembro deste ano.
 
 

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