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Desventuras em série: mercado de duas rodas brasileiro amarga mais retração em 2017

08/01/2018 16:04  - Fotos: Divulgação
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Desventuras em série: mercado de duas rodas brasileiro amarga mais retração em 2017

por Márcio Maio
Auto Press

O mercado de motocicletas no Brasil continua vivendo um período tenebroso. De acordo com dados da Fenabrave, entidade que reúne revendedores de veículos, as perspectivas para 2017 são de fechar com queda de 15% em relação a 2016 – que já foi um ano bem ruim. Na verdade, desde 2011, quando atingiu 1.940 mil unidades emplacadas, o segmento enfrenta uma sequência assustadora de quedas. Este ano, a expectativa é fechar pouco abaixo de 900 mil unidades. Mas em meio a números bem negativos, pode-se identificar uma pequena reação. Em janeiro, a queda em relação ao ano anterior era de 29%. Já em novembro, a perda recuou para 15,4.

 
 
Dados da Abraciclo, que reúne os fabricantes de motocicletas, mostram que foram fabricadas 83.106 motos em novembro, uma alta de 5,6% na comparação com outubro e de 18,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. E nos 11 primeiros meses de 2017, saíram das linhas de produção 813.868 motos, um recuo de 4,8% sobre o mesmo período de 2016 (854.839). Para Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, os números dos últimos dois meses fazem com a que a sensação seja de início de uma retomada no setor.
 
 
Na Honda, que detém 78,14% do mercado de motos entre janeiro e novembro de 2017 – em 2016, fechou com 72,61%, ou seja, cresceu 5,5% –, o pensamento é esse mesmo. Para Alexandre Cury, diretor comercial da marca japonesa no Brasil, é preciso estudar o ano que termina em diferentes períodos. “ Tivemos três momentos: o início, o final do primeiro semestre e agora, os últimos meses. O mercado de motocicletas sentiu muito nos últimos anos os efeitos da restrição de crédito, variações cambiais, inflação, entre outros fatores, que estavam sendo muito percebidos até junho. Porém, nos últimos meses, temos percebido a retomada da confiança do consumidor, maior fluxo de loja e consultas pela internet e, consequentemente, a redução dos estoques em nossas concessionárias ”, avalia Cury.
 
 
A marca segue com o modelo mais vendido entre as duas rodas: a CG 160, que teve quase 210 mil unidades emplacadas até novembro. Aliás, as seis motos mais vendidas são da Honda, sendo que a segunda colocada, a NXR 160 Bros, teve pouco mais de 100 mil exemplares comercializados. Ou seja, menos da metade da líder. E a Honda promoveu lançamentos importantes em 2017. Caso da nova SH 150i. A aposta não foi à toa: dados da Abraciclo mostram que houve um recorde histórico de vendas de scooters em 2017. Com 53.284 unidades comercializadas até novembro, o nicho supera os números de 2014, até então o maior volume da história, com 42.491 unidades. A expectativa é que este segmento feche 2017 com 58.600 unidades, o que significa alta de 57,1% na comparação com os 37.293 exemplares do ano passado. “ O segmento de scooters é um dos que mais crescem e superou até o de alta cilindrada, que havia sido destaque nos últimos anos ”, comenta Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo.
 
Assim como a Honda, outra fabricante nipônica Yamaha conseguiu aumentar seu share em 2017. Quando 2016 se encerrou, a Yamaha respondia por 10,81% do mercado de duas rodas. Agora, até o final de novembro, acumula 13,53%. Mas a maior vitória foi outra: conseguiu crescer em vendas. Até novembro de 2016, tinha 98.134 emplacamentos registrados. Em 2017, no mesmo período, foi para 104.701, um crescimento absoluto de 6,7% e de participação de quase 25%. Na reta final do ano, no Salão de Duas Rodas de São Paulo, lançou a nova Fazer 250 ABS, que registrava cerca de 800 emplacamentos mensais até novembro, mas fechará dezembro com mais que o dobro dessas unidades – eram 1.625 até o dia 26 de dezembro.
 
Em relação às exportações, no acumulado até novembro, os embarques de motos para outros países aumentaram 41,9%. Foram 74.682 unidades neste ano, contra as 52.620 em 2016 entre janeiro e novembro. A Argentina foi o principal destino neste período, com 65,4% de participação, seguida da Colômbia, com 9,5%. Deste total, 61.390 unidades foram da Honda e 13.292 da Yamaha, que ficaram com 82,2% e 17,8% de share neste aspecto, respectivamente.
 
Uma das marcas que mais perdeu foi a Shineray, pelo menos no que diz respeito às vendas. Em 2016, foram 54.421 emplacamentos e 5,45% de mercado. Até novembro de 2017, manteve o terceiro lugar de participação, mas caiu para 1,78% com seus 13.759 exemplares comercializados. Isso provavelmente em função da queda na procura pelas “cinquentinhas”, depois que a fiscalização a respeito do emplacamento das mesmas aumentou e a ACC foi, finalmente, instituída nos Detrans estaduais. A Traxx, principal concorrente da Shineray, saiu de 22.627 unidades em 2016 para, até novembro, apenas 4.775, ou seja, foi dos 2,27%, na quarta posição, para 0,62%, em sétimo lugar hoje.
 
O ranking das fabricantes mais vendidas no Brasil se alterou para valer fora do seu “ top 3 ”. A Suzuki foi do sexto para o quarto lugar, mas sua participação, que era de 1,19% em 2016, foi para 0,84% até novembro deste ano. Com a Dafra aconteceu a mesma coisa: os 1,16% de antes deram lugar aos 0,76% de share, mas subiu da sétima para a sexta posição. Já a Kawasaki se manteve em nono: foi de 0,59% para 0,53%. A Triumph não chegou a sofrer nas vendas – foram 3.898 unidades em 2016 e eram 3.570 até novembro –, mas subiu uma posição, de 11ª para décima, passando de 0,39% a 0,46%.
 
Sem lágrimas
 
Harley-Davidson e BMW não chegaram a perder em vendas. Subiram no ranking e ganharam mais participação. Porém, o cenário não abre tanto espaço para festas. “ A BMW Motorrad consolidou seu segundo ano de liderança no segmento premium de motocicletas do Brasil. Este foi o ano em que lançamos a G 310 R por aqui, nossa primeira motocicleta abaixo de 500 cc. E também da consolidação de nossa fábrica própria, em Manaus ”, valoriza João Veloso Jr., head de Comunicação Corporativa do BMW Group Brasil. A marca era o oitavo lugar do ranking em 2016, mas agora está em quinto. Subiu de 0,65% para 0,77% e fechará 2017 com um pequeno avanço nas vendas, já que até o dia 26 de dezembro já tinha emplacado 6.542 unidades, contra as 6.482 de 2016.
 
Gerente de Marketing da Harley-Davidson do Brasil, Flávio Villaça garante que, apesar dos avanços contidos da marca por aqui, o país ainda é um dos focos de atenção para o futuro. “ Temos uma operação sólida no país e isso deu bases para que os desafios de mercado apresentados ao longo do ano fossem enfrentados, independentemente de crises. Acreditamos no grande potencial que o Brasil tem para o mercado de duas rodas e isso faz com que a operação brasileira também seja uma referência no continente ”, garante. Em novembro, a fabricante mostrou o line-up 2018 durante o Salão Duas Rodas, que inclui a nova linha Softail, composta por oito modelos. A marca foi do décimo lugar em 2016 para a oitava posição e subiu seu share de 0,47% para 0,61%.
 

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