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Teste: Honda City EXL - Contra a maré

11/05/2018 13:02  - Fotos: Jorge Rodrigues Jorge / Carta Z Notícias
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Teste: Honda City EXL - Contra a maré

 Honda City EXL ganha refinamento para reagir à invasão de SUVs

POR MÁRCIO MAIO
AUTO PRESS
 
É inegável a perda de espaço dos sedãs no mercado automotivo global. No Brasil, a avalanche recente de SUVs compactos afetou, principalmente, os modelos médios, em função da faixa de preço que os novos crossovers atuam. Por esse mesmo motivo, os chamados compactos premium, mais caros, sofreram efeito similar. No caso do Honda City, outro fator também foi determinante para sua queda nas vendas: a necessidade de liberar espaço na linha para a produção dos novos “queridinhos” do mercado. O modelo, que chegou a emplacar mais de 2.800 unidades mensais no primeiro trimestre de 2015. Mas bastou que a própria Honda lançasse o SUV HR-V, em março do mesmo ano, para a situação mudar. Foram pouco mais de 1.500 emplacamentos/mês no mesmo período de 2016 e 1.198 em 2017. Mas a situação começa a mudar em 2018. Em janeiro, foram 366 unidades, em fevereiro chegou a 746 e em março pulou para 1.579 vendas. Essa reação veio logo após a fabricante nipônica promover um face-lift no City e inserir uma série de novos recursos, principalmente na configuração topo de linha, EXL.
 
O City adotou a maior parte das mudanças que afetaram o modelo em outros países. No exterior, há novos para-choques frontais, traseiros e grade do radiador reestilizada. Na versão EXL, além das luzes diurnas, setas, farol de neblina, baixo e alto são em leds, material que também aparece nas lanternas. Já a central multimídia, com tela sensível ao toque de 7 polegadas, passou a ser compatível com os sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Em termos de segurança, a configuração mais cara agora passa a ter seis airbags, incluindo os frontais obrigatórios, laterais e de cortina. Controle de estabilidade e tração, porém, que serão obrigatórios em todos os carros vendidos no Brasil a partir de 2022, seguem indisponíveis mesmo como opcionais. Há uma possibilidade de passarem a ser de série após a mudança de toda da linha de produção de automóveis da Honda no decorrer deste ano. Ela sai da atual fábrica de Sumaré e vai para a nova planta de Itirapina, ambas no interior de São Paulo.
 
O trem de força não mudou. Segue o mesmo motor 1.5 flex, que entrega 116 cv e 15,3 kgfm máximos e conquistou nota máxima, tanto em sua categoria quanto no geral, na avaliação do InMetro. A transmissão continuamente variável também permanece. Esse propulsor, aliás, é o mesmo utilizado por todas as configurações do City e ainda pelo monovolume Fit e pelo SUV compacto WR-V, lançado no ano passado.
 
O preço é pouco convidativo. Em sua versão mais cara, o City parte de R$ 83.400 – o único opcional disponível é a pintura metálica. Diante de uma concorrência renovada, com a chegada do Fiat Cronos e do Volkswagen Virtus, esse é um fator de desvantagem para o City. Até porque, exceto pelo kit multimídia avançado, a maior parte de seus itens de série é bem ultrapassada e facilmente encontrada em carros mais baratos. Mas para a Honda, esse preço é um reflexo da imagem de qualidade e confiabilidade que conseguiu consolidar no mercado brasileiro.

Ponto a ponto
 
Desempenho – O motor 1.5 de 116 cv utilizado pelo City EXL é um tanto modesto para um carro que custa acima de R$ 80 mil. Não há arroubos de esportividade, visto que o torque máximo de 15,3 kgfm só aparece em longínquas 4.800 rpm. Retomadas e ultrapassagens dependem de uma pisada mais firme no acelerador e a transmissão CVT ainda anestesia um pouco mais as reações do sedã. Nota 6.
 
Estabilidade – As rolagens de carroceria são quase imperceptíveis e a sensação de segurança é constante, mesmo em curvas encaradas com um pouco mais de velocidade. A suspensão dá conta do recado e é bem difícil aparecer qualquer sensação de insegurança. Falta controle eletrônico de estabilidade, mas o City se mostrou bem estável. Nota 8.
Interatividade – O Honda City é um sedã compacto com vocação familiar e, além disso, carrega a tradição de racionalidade nipônica. Sendo assim, os comandos são bem localizados e com funcionamento intuitivo. A direção elétrica é precisa quando o velocímetro sobe, mas basta reduzir a velocidade ou até mesmo parar o carro para que se torne extremamente leve na hora de estacionar. O painel de instrumentos traz velocímetro analógico, mas com números grandes e fácil leitura. A central multimídia da variante EXL é bem completa e traz GPS e câmara de ré. Nota 8.
 
Consumo – Segundo o Inmetro, o consumo de etanol é de 8,5 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada. Com gasolina, passa a 12,3 km/l e 14,5 nas mesmas condições. Teve nota “A” tanto no geral quanto na categoria em que atua. Nota 9.
 
Conforto – É fácil entrar e sair do City e há bom espaço na cabine para transportar quatro pessoas – com cinco ocupantes, fica bem justo. Os bancos têm boa densidade e a suspensão consegue absorver boa parte dos impactos causados pelos desníveis das ruas brasileiras. O isolamento acústico é bom, mas quando se exige um pouco mais e o câmbio CVT joga os giros para cima, o barulho do motor se apresenta de forma um tanto incômoda. Nota 8.
 
Tecnologia – A plataforma utilizada é relativamente recente. Central multimídia com tela de sete polegadas, Bluetooth, câmara de ré e GPS, faróis full led, seis airbags e transmissão CVT fazem parte da lista de itens de série da configuração topo de linha EXL. Controle eletrônico de tração e estabilidade, porém, ficou de fora da recente atualização. A não ser por isso, os equipamentos são próximos aos de um sedã médio. Nota 8.
 
Habitabilidade – As portas abrem em um ângulo generoso e o porta-malas é excepcional, com 536 litros de capacidade – para isso, ajuda a adoção do estepe temporário, bem menor. Há bons nichos para transportar o que precisa ficar à mão do motorista em viagens. E o entre-eixos de 2,60 metros favorece o espaço interno da cabine. Nota 9.
 
Acabamento – Os encaixes são corretos e os materiais aparentam qualidade, mas os plásticos rígidos estão ali. Há couro nos bancos, no câmbio e na lateral das portas. Não há luxo, mas também não chega a destoar dos concorrentes na categoria. Nota 7.
 
Design – A linha 2018 passou por um leve face-lift, que deixou o City EXL com um ar mais elegante e sofisticado. A frente agora se aproxima da adotada no sedã médio Civic, com faróis alongados e luzes diurnas de leds. Os para-choques foram redesenhados e estão mais robustos. Além disso, as lanternas traseiras incorporaram guias em leds. Mudanças sutis, mas que trouxeram algum toque de novidade ao carro. Nota 7.
 
Custo/benefício – Na Honda, é sempre assim: qualquer carro já é mais caro pelo simples fato de carregar o emblema da marca. O City EXL começa em R$ 83.400, podendo encarecer de acordo com a cor escolhida. Entre as fabricantes japonesas, um Toyota Etios Platinum parte de R$ 71.150 e é mais bem equipado, mas tem 107 cv máximos e câmbio automático de quatro marchas. Na Nissan, o Versa Unique CVT custa R$ 68.840 e regula com o City EXL em equipamentos. Na Chevrolet, um Cobalt Elite custa R$ 74.350 e está à altura do City EXL. Já as novidades do mercado se aproximam mais da conta do City EXL: a Volkswagen pede R$ 84.090 pelo Virtus Highline 200 TSI, com motor 1.0 turbo de 128 cv e transmissão automática de seis marchas, e a Fiat entrega o Cronos 1.8 Precision automático por R$ 79.430 com recheio melhor que o City topo de linha. Os modelos da Volkswagen e da Fiat chegam a contar com chave presencial. Pelo visto, a Honda precisa mesmo contar com sua credibilidade e a fidelidade do cliente para negociar o City EXL. Nota 6.
 
Total – O Honda City EXL somou 76 pontos em 100 possíveis.
 
Primeiras impressões
Pacato citadino
 
O Honda City é um sedã de visual conservador. Mas o recente face-lift, apesar de sutil, conseguiu transmitir uma ideia de requinte. Principalmente quando se trata da configuração de topo EXL, que traz conjunto ótico todo em led e uma dianteira que o aproximou mais do Civic, três volumes posicionado acima do City no portfólio da marca japonesa.
 
Por dentro, a principal evolução foi na central multimídia, que agora ganha compatibilidade com as tecnologias Android Auto e Apple CarPlay. Os materiais são bons e, apesar de haver muito plástico rígido espalhado, revestimentos em couro aparecem nos bancos, portas e câmbio. O ar-condicionado é operado por comandos em touchscreen, o que insere algum charme, mas não é de dupla zona, por exemplo. Em relação ao espaço, nada mudou: é condizente com a categoria em que atua e quatro adultos viajam sem grandes problemas. E o apelo para as famílias fica claro na hora de abrir o porta-malas: são nada menos que 536 litros.
 
Na hora de se movimentar, o City se mostra um carro adequado para a cidade. O motor 1.5 move o compacto com alguma agilidade e acelerações e as retomadas são feitas sem grandes surpresas. Porém, o torque máximo de 15,3 kgfm aparece apenas em 4.800 giros e a transmissão CVT prioriza a economia de combustível e não o desempenho. Com isso, é preciso esgoelar um pouco o motor para extrair vigor na hora de pegar a estrada e fazer ultrapassagens mais emergenciais.
 
A suspensão é um ponto que agrada no compacto da marca japonesa. O acerto deixa o carro bastante esperto em curvas, mas sem prejudicar o conforto no interior. Mesmo em curvas mais acentuadas, a carroceria pouco rola e o carro quase não tende a desgarrar. Ainda bem, já que a Honda deixou itens como controle eletrônico de estabilidade e de tração de fora de sua última atualização. Pelo visto, entendeu que o City não precisa disso. Ou simplesmente optou por economizar na construção do modelo.
 
Ficha técnica
Honda City EXL
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.497 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Transmissão continuamente variável (CVT). Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 115 e 116 cv a 6 mil rpm com gasolina e etanol.
Torque máximo: 15,3 kgfm a 4.800 rpm com gasolina e etanol.
Diâmetro e curso: 73,0 mm X 89,4 mm. Taxa de compressão: 11,4:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson. Traseira por eixo de torção. Não oferece controle eletrônico de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. Oferece ABS com EBD.
Pneus: 185/55 R16.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,46 metros de comprimento, 1,70 metro de largura, 1,49 metro de altura e 2,60 metros de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso: 1.135 kg.
Capacidade do porta-malas: 536 litros.
Tanque de combustível: 46 litros.
Produção: Sumaré, São Paulo.
Itens de série: Antena na parte traseira do teto, conjunto ótico todo em leds, grade frontal cromada com acabamento em preto brilhante, retrovisores elétricos com luz indicadora de direção, acabamento das portas e transmissão em couro, revestimento dos bancos em couro, apoio para o pé, apoio central de braço em couro, apoio traseiro de braço com porta copos, banco do motorista com regulagem de altura, coluna de direção ajustável em altura e profundidade, tomada 12 Volts, encosto de cabeça para todos os ocupantes, para-brisa degradé, vidros verdes com filtro UV, iluminação interna do porta-malas, abertura do bocal de abastecimento com alavanca interna, sistema de rebatimento dos bancos em 60/40, ar-condicionado digital touchscreen, câmara de ré multivisão com guias de referência, central multimídia com tela touch de 7 polegadas e interface para smartphones Android Auto e Apple CarPlay, volante multifuncional com acabamento em couro, Bluetooth, controle de velocidade de cruzeiro, computador de bordo, vidros elétricos, retrovisor com rebatimento elétrico com acionamento interno e pela chave, alarme, luzes de rodagem diurna, farol de neblina, brake light, estrutura de deformação progressiva com barras de proteção lateral, chave tipo canivete com controle de abertura/fechamento das portas, sistema Isofix de fixação de cadeirinha infantis, trava de segurança central dos vidros dos passageiros, trava de segurança na portas traseiras, travas elétricas com travamento automático acima de 15 km/h.
Preço: R$ 83.400.
 

TRÂNSITO LIVRE

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