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Teste: Volkswagen Gol 1.6 automático - Variação cambial

06/11/2018 05:40  - FOTOS: JORGE RODRIGUES JORGE/CARTA Z NOTÍCIAS
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Volkswagen Gol 1.6 automático mostra eficiência e tem preço atraente

POR MÁRCIO MAIO
AUTO PRESS

Mesmo os modelos mais clássicos precisam se renovar com o tempo. Na maioria das vezes, as mudanças se restringem ao visual, mas de vez em quando, há uma real injeção de funcionalidade e tecnologia. É nesse último caso que se enquadra o Volkswagen Gol. A marca alemã até promoveu uns poucos retoques no visual do hatch no fim de julho, mas a alteração mais substância na linha foi o enxugamento da gama e a adoção de uma transmissão automática na versão mais cara.

       O novo câmbio trabalha em conjunto com o mesmo propulsor que movimentava a extinta versão Rallye, o 1.6 MSI com quatro cilindros e 16 válvulas, enquanto a versão manual manteve o 1.6 de 8 válvulas. Com bloco e cabeçote feitos de alumínio e duplo comando de válvulas, o propulsor rende 110 cv com gasolina e 120 cv com etanol, sempre a 5.750 rpm. Já o torque é de 15,8 kgfm e 16,8 kgfm, nas mesmas condições, e aparece por completo nos 4 mil giros. O conjunto é suficiente para levar o Gol do zero a 100 km/h em 10,1 segundos e chegar aos 185 km/h de velocidade máxima.

       Em relação ao conteúdo, a lista de itens de série é simples, porém funcional. Entram ar-condicionado, direção hidráulica, banco do motorista com ajuste de altura, suporte para celular com entrada USB, travamento elétrico das portas e vidros dianteiros com acionamento elétrico. Aparecem também alerta sonoro de faróis acesos, tomada 12V no console central e para-sol com espelho para motorista e passageiro. As rodas são de aço, com 15 polegadas, e há também luzes indicadores de frenagem de emergência, que alerta motoristas que circulam atrás do veículo sobre qualquer freada mais forte.

       Opcionalmente, porém, dá para deixar o Gol automático mais interessante, com rodas de liga leve de 15 polegadas, alarme, chave tipo canivete com controle remoto, retrovisores e maçanetas pintados na cor do veículo, grade do radiador pintada em preto ninja, espelhos retrovisores externos com ajuste elétrico, função tilt down do lado direito e luzes indicadoras de direção integradas, sensor de estacionamento traseiro, vidros elétricos traseiros, destravamento elétrico da tampa traseira pela chave, para-sol com espelho iluminado, faróis duplos, farol de neblina, lanterna traseira escurecida e coluna de direção com ajuste de altura e profundidade. A central multimídia é a Composition Touch, que acompanha computador de bordo e volante multifuncional e permite conectividade com Android Auto, Apple CarPlay e Mirrorlink. E todos esses “mimos” adicionam ao carro menos de 10% a mais que seu valor: exatos R$ 5 mil, chegando aos R$ 59.580.
 

 Ponto a ponto

 

Desempenho – O motor 1.6 adotado pela Volkswagen no Gol automático, na verdade, já fez parte da história do hatch. É o mesmo que embalava a versão com roupagem aventureira Rallye, com 120 cv e 16,8 kgfm de torque máximos com etanol. Ele movimenta com bastante agilidade o modelo, desde as arrancadas até as retomadas e ultrapassagens. Quanto à nova transmissão, as trocas são rápidas e a sintonia com o propulsor impressiona. Nota 8.

Estabilidade – Tradicionalmente, o acerto de suspensão dos automóveis da Volkswagen é um pouco mais firme. Com isso, o carro entrega um comportamento equilibrado e sem grandes surpresas. Rolagens de carroceria até aparecem, mas nada que incomode, pois são sempre muito sutis. Faltam, porém, os aparatos eletrônicos para aumentar a segurança do modelo, como controle eletrônico de estabilidade. Nota 8.

Interatividade – Poucos comandos aparecem na cabine e todos são bem fáceis de usar. Mas o que mais merece elogios nesse aspecto é o eficaz suporte para celulares, que a marca oferece em alguns de seus modelos. Além de facilitar a interação entre o motorista e o aparelho telefônico, tem uma entrada USB própria para carregar o smartphone. A central multimídia opcional espelha celulares e seu pacote acompanha ainda computador de bordo, volante multifuncional e aletas no volante para trocas manuais. E ainda é possível equipar o Gol com retrovisores elétricos e sensores de estacionamento traseiros, que melhoram bastante a interação entre o condutor e o carro. Nota 9.

Consumo – O Gol 1.6 automático ainda não consta na tabela do Programa de Etiquetagem do InMetro. De acordo com os números da própria Volkswagen, o carro percorre 7,7 km/l na cidade e 9,6 km/l na estrada com etanol e 11,1 km/l em circuito urbano e 13,6 km/l no rodoviário com gasolina. Durante a avalição, porém, os resultados foram bem melhores, sem ter de amenizar tanto o peso do pé direito no acelerador. Nota 7.

Conforto – Quatro pessoas se acomodam bem, mas a suspensão mais firme cobra um pouco seu preço diante da buraqueira típica das ruas brasileiras. O isolamento acústico deixa um pouco a desejar quando se exige mais força do propulsor, em rotações altas, mas não chega a ser um carro barulhento. Nota 6.

Tecnologia – A plataforma é antiga, principalmente diante de vários compactos mais modernos, inclusive da própria marca. Em compensação, o motor é econômico e potente. E a transmissão automática de seis velocidades, adotada há três meses, também é eficiente e moderna. Completo, com todos os opcionais, o Gol 1.6 automático traz bons itens de conforto e tecnológicos, mas peca ao deixar de lado itens de segurança como controle eletrônico de tração e de estabilidade e airbags laterais. Nota 6.

Habitabilidade – Há espaço para garrafas e outras coisas nos bolsões das portas e porta-trecos. Tudo que precisa estar mais à mão do motorista cabe facilmente e o celular tem um suporte próprio que ajuda nessa organização. O porta-malas comporta 285 litros – não se destaca na categoria de hatches compactos, mas também não destoa do padrão. Nota 8.

Acabamento – Não há luxos, mas o Gol está longe de fazer feio. Os plásticos aparecem por toda a parte, mas de qualidade aparentemente boa e sem folgas nos encaixes. Os materiais não chegam a ser suaves ao toque, mas também não são ásperos. A Volkswagen está melhorando consideravelmente seu padrão nesse aspecto e isso tem afetado toda a linha – embora as principais evoluções apareçam mesmo nos projetos mais recentes. Nota 7.

Design – O Gol passou por uma reestilização que “marcou” a chegada do câmbio automático, porém bem sutil. De qualquer forma, o conjunto agrada. Na frente, o capô está mais elevado, com duas linhas que se conectam aos conjuntos óticos. Com a grade larga e alta, o logotipo da Volkswagen fica alocado integralmente fora do capô. O para-choque dianteiro traz entradas de ar na parte inferior e linhas geométricas. Os faróis de neblina têm formato trapezoidal e são envolvidos por uma moldura preta. Atrás, no entanto, só inseriram a assinatura MSI e a inscrição “Automático” embaixo. Nota 7.

Custo/benefício – A Volkswagen cobra iniciais R$ 54.580 pelo Gol 1.6 automático, mas o valor sobe em R$ 5 mil para ter o hatch completo. Abaixo dele e com transmissão automática, só o Toyota Etios X, com câmbio de quatro marchas e motor 1.3, por R$ 54.490. O Chevrolet Onix mesmo, com motor 1.4, parte de R$ 55.350, e só ganha câmbio automático a partir de R$ 60.650. Ou seja, o preço é mesmo um trunfo forte para o Gol sem embreagem. Nota 9.

Total – O Volkswagen Gol 1.6 automático somou 75 pontos em 100 possíveis.

 

Impressões ao dirigir

Na conta certa

       A ausência do pedal da embreagem no Volkswagen Gol não chega a ser uma novidade. Mas a desenvoltura do modelo com a nova transmissão automática é muito superior à do antigo câmbio automatizado e seus trancos nas trocas de marcha. Basta ligar o motor e começar a movimentar o carro para perceber que, desta vez, vale a pena apostar na comodidade de poder se desligar das mudanças de marchas – principalmente para quem roda muito em perímetro urbano e ruas engarrafadas. 

       A sintonia entre o câmbio e o propulsor 1.6 de 120 cv é um dos principais destaques da versão. As trocas são ágeis e o motor mostra disposição mesmo bem antes dos 4 mil giros, quando os 16,8 kgfm de torque com etanol no tanque aparecem por completo. Aliás, desde a arrancada, o hatch entrega vigor. E é até possível arrancar uma direção mais esportiva, graças ao típico ajuste mais firme da suspensão, que favorece o equilíbrio em estradas mais sinuosas. 

       Se os itens de série não chegam a chamar muita atenção, o Gol 1.6 automático completo é bem competitivo diante da concorrência em sua categoria. Não há requinte, mas a central multimídia com espelhamento de smartphones é bem funcional, os sensores de estacionamento traseiros auxiliam nas manobras de estacionamento e o volante multifuncional com aletas para trocas manuais de marchas torna a interatividade com o carro mais simples e divertida. 

       Outro fator que impressiona no carro é sua eficiência energética. Apesar de ainda não constar na tabela do InMetro, o modelo se mostra pouco amigo das bombas dos postos de combustíveis. Principalmente quando não se exige tanto do propulsor, entregando médias até superiores que alguns propulsores 1.0 de marcas rivais. Até nessa questão, a aposta no Gol automático parece ser mesmo focada no custo/benefício.

 

Ficha técnica

Volkswagen Gol 1.6 automático

Motor: Gasolina e etanol, 1.598 cm³, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não dispõe de controle de tração.

Potência máxima: 110 cv e 120 cv a 5.750 rpm com gasolina e etanol.

Torque máximo: 15,8 kgfm e 16,8 kgfm às 4 mil rpm com gasolina e etanol.

Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,1 segundos.

Velocidade máxima: 185 km/h.

Diâmetro e curso: 76,5 X 86,9 mm. Taxa de compressão: 11,5:1.

Freios: A disco na frente e a tambor atrás, com ABS e EBD.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços triangulares transversais e barra estabilizadora. Traseira com eixo de torção com braços longitudinais. Não dispõe de controle de estabilidade.

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,92 metros de comprimento, 1,90 m de largura, 1,49 m de altura e 2,47 m de distância entre-eixos. Airbags frontais. 

Peso: 1.040 kg.

Capacidade do porta-malas: 285 litros.

Tanque de combustível: 55 litros.

Produção: Taubaté/SP.

Itens de série: Ar-condicionado, direção hidráulica, banco do motorista com ajuste de altura, suporte para celular integrado ao painel com entrada USB, travamento elétrico das portas, vidros dianteiros com acionamento elétrico, encosto do banco traseiro rebatível, desembaçador traseiro, alerta sonoro de faróis acesos, tomada 12V no console central, para-sol com espelho para motorista e passageiro, rodas de aço com 15 polegadas, antena de teto, faróis com máscara negra, alerta de não utilização de cinto de segurança do motorista, três apoios de cabeça com ajuste de altura no banco traseiro e sinal de frenagem de emergência.

Preço: R$ 54.580.

Opcionais: Rodas de liga leve de 15 polegadas, alarme keyless, chave tipo “canivete” com controle remoto, retrovisores e maçanetas pintados na cor do veículo, grade do radiador pintada em preto ninja, espelhos retrovisores externos com ajuste elétrico, função tilt down (lado direito) e luzes indicadoras de direção integradas, sensor de estacionamento traseiro, vidros elétricos dianteiros e traseiros, destravamento elétrico da tampa traseira com controle remoto, travamento elétrico das portas com controle remoto, para-sol com espelho iluminado, farol de neblina, lanterna traseira escurecida, duas luzes de leitura dianteiras e duas traseiras, alças de segurança no teto, coluna de direção com ajuste de altura e distância, central multimídia com espelhamento de celulares, computador de bordo, volante multifuncional e aletas para trocas manuais de marchas. 

Preço completo: R$ 59.580.

TRÂNSITO LIVRE

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